Redações de vestibular ficam cada vez mais exigentes

Os vestibulandos podem até contar com a sorte em provas de múltipla escolha, mas na hora de fazer a redação não há amuleto que ajude. A produção de textos é a arma que as universidades usam em seus vestibulares para distinguir quem realmente sabe dos que contam com uma ajudinha do “cara-ou-coroa”.
Dissertação
É o formato utilizado há mais tempo pelos vestibulares de todo o País. É o adotado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que seleciona os candidatos para Universidade de São Paulo (um dos maiores em número de inscritos do Brasil).
A dissertação prioriza a ponto de vista do candidato, que tem que defender uma tese, discorrendo sobre o tema proposto com argumentos que vão culminar com uma conclusão. Por ser o modelo mais utilizado pelos vestibulares, é comum professores e alunos desenvolverem fórmulas para facilitar a elaboração do texto. A receita normalmente é a seguinte:
- um parágrafo para explicar a tese;- um ou dois parágrafos para o desenvolvimento;- um parágrafo para a conclusão. - textos sempre em 3º pessoa - nunca se dirigir ao leitor usando “você”
“Essa ‘receita’, entretanto, pode desandar . Há muitas possibilidades dentro da dissertação. O que prevalece é a marca autoral, a maturidade na defesa dos argumentos.
Por isso, além da preocupação com o formato, o candidato deve se empenhar em ter argumentos bem fundamentados para construir um texto interessante. Se o candidato não souber argumentar bem, usar citações de autoridades no assunto, não apresentar causa e consequência, a dissertação fica vazia e superficial. Só com bastante embasamento no assunto o vestibulando vai conseguir dar profundidade à redação.
Dissertação argumentativa
Modelo utilizado no maior vestibular do Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), segue o mesmo princípio estrutural das dissertações, mas com uma diferença importante: nela, o candidato deve convencer o leitor sobre uma posição em relação ao tema.
O pior erro é ficar em cima do muro num tipo de redação como essa. As provas do Enem pedem que você tenha certeza do que está argumentando e que convença o leitor de sua opinião.
No próximo vestibular, a Universidade de Campinas passará a adotar três redações obrigatórias, em vez de uma. Com uma redação só nem sempre é possível avaliar a capacidade de comunicação do candidato. Às vezes ele tem a sorte de ter mais intimidade com o assunto e vai bem na redação, mas com três textos ele vai ter de mostrar se realmente sabe se expressar.
Em um simulado realizado em maio para que os candidatos conhecessem a prova, o resultado mostrou que as expectativas não são nada ortodoxas: os candidatos tiveram de fazer uma carta, uma entrevista e um editorial jornalístico. Este não é um formato fixo, existe flexibilidade para a aplicação de várias propostas.
Para se preparar para o que pode vir pela frente, uma dica: o vestibulando deve virar um leitor crítico. Não basta simplesmente ler, tem de pensar sobre a forma do texto, identificar a que gênero ele pertence, se ele cumpriu com a função dele.
Dicas gerais
Independentemente do gênero proposto, os especialistas destacam pontos que todo vestibulando deve ficar atento:
Prática – quanto mais você escreve, mais fácil fica perceber suas dificuldades. Reescreva redações, desconstrua textos jornalísticos, experimente.
Ler – não apenas para avaliar o formato do texto, mas para criar um banco de informações que serão úteis na hora de argumentar.
Atenção ao enunciado – é nele que o vestibulando vai encontrar toda informação essencial para desenvolver a redação. Se algo passar despercebido, toda redação pode ser desconsiderada.
Tema e o formato – argumentação fraca, erros de ortografia, gramática, sintaxe. Tudo isso é passível de desconto de pontos em uma redação, mas apenas duas falhas são capazes de anular a nota da redação: fuga do tema e a não obediência ao formato pedido. Por isso, muita atenção e cuidado.

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