SUSPEITO NEGA FURTO DE PROVA DO ENEM

A advogada Claudete Pinheiro da Silva, que defende Felipe Pradella, de 32 anos, indiciado pelo envolvimento no vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), negou nesta segunda-feira (5) que o rapaz tenha sido o responsável pelo furto da prova.
Segundo Claudete, ele não quis vender o exame e, sim, fazer uma denúncia. “Eles [Pradella e o amigo, o DJ Gregory Camillo Craid] queriam denunciar a fragilidade da gráfica. A prova [do Enem] era uma prova de que os serviços eram deficitários.” O objetivo, afirma, era mostrar que os serviços prestados pela gráfica eram "falhíssimos" e "dar um furo jornalístico". "Ele [Pradella] acreditou que era um furo jornalístico e não um ilícito penal."
A imprensa procurou por Craid, mas ele disse que não falaria sobre o assunto nesta semana. Craid afirmou que tudo o que precisava dizer sobre o caso consta no depoimento prestado por ele à Polícia Federal.
A notícia de quebra do sigilo do exame, revelada pelo “O Estado de S.Paulo”, fez com que o Ministério da Educação cancelasse, na quinta-feira (1º), a prova que seria aplicada no sábado (3) e no domingo (4) para mais de 4 milhões de estudantes.
Pradella tinha sido contratado como temporário para trabalhar na arrumação de caixas na gráfica. A contratação foi feita pelo instituto Cetro, que faz parte do Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção (Connasel), responsável pelo processo de produção e de distribuição do exame. Segundo a advogada, a profissão de Pradella é de corretor de imóveis, mas ele havia sido contratado por apenas uma semana para fazer a conferência e lacrar caixas na gráfica.
Pradella deixou a sede da Polícia Federal, na Zona Oeste de São Paulo, às 17h35 desta segunda, após prestar depoimento. Pradella foi indiciado por extorsão, artigo 155 e 325.
Além dele, também prestaram depoimento um rapaz apontado por ele como o responsável pelo furto e outro rapaz, que também que estaria envolvido na retirada da prova. Os três foram indiciados pela PF nesta segunda. "Um dos três admitiram e não foi o Felipe, mas não posso falar pelos demais", afirmou Claudete.
No total, cinco pessoas foram indiciadas. No sábado (3), já haviam sido indiciados por suspeita de participação no vazamento o publicitário e dono de uma pizzaria Luciano Rodrigues e o DJ Gregory Camillo Craid.
A defensora de Pradella afirmou ainda que a Polícia Federal já começou a analisar as imagens do circuito interno de TV da gráfica. "As imagens não mostram quem furtou a prova. Pelas imagens, você vê que todo mundo tinha acesso às provas."
O advogado Luiz Vicente Bezinelli, que defende o dono da pizzaria, esteve na sede da Polícia Federal na tarde desta segunda para ver o inquérito e decidir como vai proceder na defesa de seu cliente.
O advogado disse que deve entrar com habeas corpus na quarta-feira (7) - quando o inquérito pode estar concluído - para retirar as acusações contra seu cliente. Segundo ele, o dono da pizzaria não cometeu crime e o erro dele foi procurar a imprensa em vez de informar a polícia. “Ele pensou no furo jornalístico. Ele é publicitário, já trabalhou no ‘O Estado de S.Paulo’”.

O dono da pizzaria já trabalhou no departamento comercial de “O Estado de S.Paulo” e telefonou para a redação do jornal e também da “Folha de S. Paulo” para contar a denúncia para os jornalistas.

O defensor afirmou que seu cliente viu apenas que era um papel azul e que tinha um símbolo do governo federal, mas não chegou a olhar com atenção a prova.

Bezinelli disse que, em um primeiro momento, Rodrigues não sabia que os rapazes tinham interesse em vender a prova e pensava que se tratava apenas de uma denúncia. Mas depois, quando conversava com uma jornalista ao telefone, viu os dois discutindo, falando que podiam ganhar um dinheiro com o fato. O advogado disse que Rodrigues alertou aos rapazes que a imprensa não pagaria por aquilo e que ia querer denunciar.

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